Aço inox Aperam:

esse não enferruja.

Por que a série 3XX é melhor?

A ciência já ajudou a criar coisas fantásticas para a humanidade. Uma delas é o aço inox. Um aço com diversas vantagens, sendo uma das principais, sua alta resistência à corrosão.

Porém, tem sido vendido no Brasil um aço inoxidável que não é tão inoxidável assim: um aço inox linha 200 que se faz passar por linha 300.

Autodenominado “Série 300”, esse aço é, na verdade, um aço da família 2XX e não da família 3XX!

A utilização de manganês no lugar do níquel nos aços 2XX tem como único objetivo a redução de preço, mesmo às custas das propriedades do aço inox!

O linha 200, ou falso Série 300, apresenta 2,5% menos cromo (Cr) que o 304, elemento essencial para a resistência à corrosão dos aços inoxidáveis.

A presença de enxofre e o elevado teor de carbono da linha 200 também contribuem para a redução da sua resistência à corrosão, principalmente corrosão por pites e intergranular.

Famílias 2XX e 3XX

Quais as diferenças?

Os aços inoxidáveis austeníticos tradicionais são compostos basicamente por ferro, cromo e níquel, sendo este último o principal elemento de liga responsável pela estrutura austenítica da família 3XX. Já a família 2XX, também austenítica, possui como principal elemento austenitizante o manganês, que substitui parcial ou quase totalmente o níquel. De uma forma prática temos:

3XX: inox austenítico com alto teor de níquel
2XX: inox austenítico com alto teor de manganês

Tabela 1 – composição química

Na tabela 1 temos um comparativo de composição química entre os principais aços destas duas famílias e também os resultados do aço Linha 200, importado na forma de tubos.

Nota-se pelos dados acima, uma diferença expressiva entre os teores de Mn e Ni dos aços 304 e 201, ressaltando que o aço Linha 200 também possui elevado teor de manganês.

Por que se utiliza manganês ao invés de níquel?

O manganês é um metal muito abundante em nosso planeta e de fácil obtenção. No entanto, o Manganês não confere aos aços com ele produzidos as mesmas propriedades que o Níquel. Por isso, o Manganês possui valor comercial muito menor do que o níquel; assim, os aços da família 2XX possuem também preços menores e performance inferior aos aços 3XX.

A utilização de manganês no lugar do níquel nos aços 2XX tem como único objetivo a redução de preço, mesmo às custas das propriedades do aço inox!


A ciência comprova:

a Linha 200 NÃO possui o mesmo desempenho dos aços série 3XX

De acordo com as análises comparativas e ensaios realizados em tubos inox, os produzidos com os aços Linha 200 não apresentaram o mesmo desempenho que os produzidos com os aços da série 3XX, como o 304. É sabido que o principal elemento de liga que garante resistência à corrosão aos aços inoxidáveis é o cromo (Cr). Conforme análise química na tabela 1, o aço Linha 200 apresenta 2,5% menos Cr que o 304.

As equações 1 e 2 a seguir demonstram a importância do cromo para os aços inoxidáveis, onde PREN significa número equivalente de resistência à corrosão por pites. Quanto maior for o valor da equação, melhor é a resistência à corrosão.

(1) PREN = %Cr + 3,3xMo% + 16xN
(2) PREN-Mn = %Cr + 3,3xMo% + 30xN – %Mn

Nota-se que o manganês atua como redutor da resistência à corrosão promovida principalmente pelo cromo.

Há outros fatores que também contribuem negativamente para a resistência à corrosão neste material. O enxofre presente no aço Linha 200 se combina com o manganês em abundância, formando sulfetos, que são pontos preferenciais para o início da corrosão por pites. Além disso, teores de carbono mais elevados comprometem o desempenho em materiais soldados por haver precipitação de carbonetos de cromo nos contornos de grão, podendo desencadear corrosão intergranular. Isso reduz substancialmente a resistência à corrosão desses aços, em especial nas regiões afetadas pela solda. O mesmo não ocorre com os aços 3XX, que possuem baixos teores de carbono.

Uma das formas de se avaliar a resistência à corrosão dos aços inoxi-dáveis é através da realização de ensaio de névoa salina (ASTM B117).

Figura 1 – condição superficial após 1000h de névoa salina

A figura 1 apresenta o resultado de testes realizados no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo) em tubos inox 304 e 2XX após 1000h em ensaio de névoa salina (NaCl 5%), onde nota-se claramente corrosão na região soldada no tubo 2XX.

Figura 1 – condição superficial após 1000h de névoa salina

Nem tudo é o que parece

Os aços inoxidáveis Linha 200 (erroneamente autodenominado Série 300) não devem ser confundidos com os aços da série 3XX. As análises realizadas demonstraram que se trata na verdade de um aço austenítico com alto teor de manganês, da família 2XX! Os ensaios de composição química e resistência à corrosão comprovam a superioridade do 304. A substituição pela Linha 200 pode resultar em corrosão e resultados indesejados, manchando ainda o bom desempenho da conhecida família 3XX. Uma falsa economia de custos é gerada face à necessidade posterior de assistência técnica e eventual substituição por um aço mais adequado.

Famílias 2XX:

prejuízos para o negócio

  • Menor resistência à corrosão
  • Rachaduras nas dobras
  • Dificuldades na soldagem
  • Menor durabilidade do produto final
  • Percepção negativa de qualidade pelo cliente
  • Danos à imagem da sua marca

Como descobrir o tipo de aço inox?

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